Imagem-poema

Sempre tive dúvidas sobre não ter escolhido a fotografia como profissão. Na verdade, quando optei por cursar Letras, não sabia ainda o que era fotografia. Sabia que gostava de imagens desde muito menina, que colecionava recortes de revistas com fotos que me emocionavam e que gostava muito de ver os álbuns de fotografia de minha família. Mas nunca tinha juntado tudo isso e entendido que aquilo já era uma predisposição para correr atrás de um gosto natural.


Pois bem, passei no vestibular para Letras e fui estudar Literatura. Sempre gostei de ler, leio muito, trabalho com livros e me pergunto: Será que fiz a escolha errada?

Um dia, num curso em SP, ouvi um fótografo contar essa mesma história. Era história dele e a minha também! Ouvi com grande entusiasmo, imaginando que ele havia largado tudo para viver intensamente sua vida de fotógrafo. Para minha surpresa não era isso. Ele continuava lecionando, produzindo alguns livros como editor, vivendo as possibilidades que o curso de letras deu a ele e .... fotografando. Sim!!!!! As duas coisas conviviam lado a lado, numa parceria harmoniosa.

Era invevitável, tive de perguntar, pois era uma pergunta para mim, acima de todas as coisas: Você já viveu a dúvida de largar seus livros e viver só de fotografia?

Como fui ingênua. A resposta era tão óbvia que me envergonhei. Porque não tinha pensado naquilo antes? Ele disse: Tenho orgulho da profissão que tenho. Gosto de tudo que diz respeito à arte literária, inclusive a fotografia. Já parou pra pensar que fotografar é escrever "com a luz"? Escrevo com a luz. Sou "autor" de minhas imagens-poemas. Elas só existem porque sou eu que as crio. Sou um escritor de imagens.

Bonito isso: sou um escritor de imagens.







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